segunda-feira, 18 de maio de 2009

POEMA OFERECIDO: COM O ESPÍRITO DA CASA


Acabei hoje o sabonete cujo uso iniciaste aquando

o teu último banho cá em casa. Ficaram coisas que

te pertencem e que não sei se deva guardar,

a saber: um candeeiro, um desenho, uma fotografia.

Outras coisas ficaram

alguns discos e já não sei que livro. Não ferem

Tanto.

Há ainda a memória da pele, o amarelo dos olhos e

algumas expressões do teu português falado.

Mas estas últimas já se confundem com o

espírito da casa, quero dizer-te com a poeira da

casa.

Canção da Devastação

Porque talvez os rumores que correm sejam verdade, talvez seja mesmo verdade que me apaixonei por ti, e que sempre te conheci e acompanhei, que tu és a epifania que sempre habitou o meu coração.

TEATRO-CLIP



Fazes-me falta.


Fazes-me falta quando menos penso em ti, quando tudo é turvo, quando não há incidentes a registar, nenhuma ideia elaborada.


Diria que me fazes falta em cru.


Não por uma questão de crueldade, mas antes porque suponho porque poderíamos ser inimigos e odiramos de morte a sombra um do outro, sendo que, estou segura, nunca me serias indiferente.

domingo, 29 de março de 2009

ACONTECE-ME SEMPRE QUE BEBO LEITE QUENTE.


Acontece-me sempre que bebo leite quente… Estava a ler Na Solidão dos Campos de Algodão. Estava a tentar perceber porque é que solitários, ilícitos e animais se encontram às horas não homologadas da noite. Porque é que é na noite, perto do lusco-fusco, que se permitem existir. A relação das palavras estava a intrigar-me. Estava a ficar desconfortável. Não é ilícito não querermos ser sozinhos, mesmo se nos propomos a ser singulares quando saímos de um ponto em direcção a outro, em linha recta, sem qualquer obstáculo, a seguir directamente. Precisei de parar para pensar. Num dealer e num cliente. Levantei-me e fui à cozinha, aqueci um copo de leite. Eram umas 17h. Sentei-me e continuei a olhar para aquela relação. Estava demasiado cansada para solucionar o que estava a ler. Acontece-me sempre que bebo leite quente. Adormeci. Acontece-me que sempre que bebo leite quente. Adormeço, e inevitavelmente sonho. Sempre que bebo leite aquecido.



Acontece-me sempre que bebo leite quente. Sonho inevitavelmente. Raramente me lembro do que sonhei. Mas este ficou e veio para aqui. O que me acontece. Sempre que bebo leite quente.



Eram 18h39. Quando acordei. Depois do leite aquecido.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A DINâMICA DAS PALavRas


Ausência. É sempre ter falta de alguma coisa ou de alguém e hoje sinto a minha falta. Tenho saudades minhas. É um vazio que tem tomado conta de mim, como se estivesse há já muito tempo adormecida, de um sono do qual tenho dificuldade em acordar. Estou num viver narcoléptico, que me causa uma dor profunda de não conseguir viver melhor. Adormeço nas melhores partes dos dias. Há dias menos bons, hoje será, tem sido, já foi um deles. Sinto uma impotência crescente, nascente da cegueira que não consigo curar.




De uma relação que quero manter, de algo que quero mostrar, de um fracasso que já tive, que não quero voltar a ter, e que vejo que os outros não atingem.Ter fracassado é ter sido impotente. É ser dominado por uma impossibilidade, não conseguir ultrapassar as nossas próprias dificuldades. Sinto-me impotente quando o desenrolar das circunstâncias já não dependem de mim, para o bem e para o mal. É tão difícil explicar um fracasso. É tão difícil demonstrar um fracasso. Porque talvez seja do tipo de coisas que sublimamos, que inconscientemente apagamos das nossas memórias. Ninguém quer recuperar um fracasso para o que quer que seja. Mas todos querem recuperar do fracasso. E isso já é uma coisa diferente. Recuperar do fracasso é acelerar o processo de esquecimento.Essa impotência… mas como é que se mostra a impotência…




é mais fácil verbalizar, é muito mais fácil. Com palavras. É sempre mais fácil com as palavras. Mas também mais perigoso. As palavras lá ficam, para quem as quiser ler. Agora, depois, mais tarde… num minuto, durante duas horas, um dia inteiro. As palavras estão sempre lá. Mas a explicação, a demonstração daquilo que são… é sempre efémero. Foi agora, já passou, mesmo falando sobre ele, não consigo recuperar essa demonstração do que foi o meu fracasso, do que foi a minha dor, do que foi a minha cegueira. A surpresa do momento já não se mantém no que escrevem as palavras. As palavras...Vulnerabilidade vem do latim vulnus. Que quer dizer ferida.





sábado, 28 de fevereiro de 2009

MATEMÁTICA LÍRICA

Decidi que a partir de agora vou passar a ser como os números primos: único e indivisível. Irrepartível, a não ser por mim próprio. Passível de ser divisível apenas por um, sendo esse um não outra coisa senão por mim, além de mim mesmo. Sem gostar de me partilhar nem de me dividir com os outros, ou pelo menos dificultando bastante o trabalho quando essa operação pretende ser feita.

Ao menos um número primo é único e especial. E ser especial sempre foi difícil e, tratando-se de matemática, pior um pouco. Mas mais vale ser um número primo. Afinal, qual a vantagem dos outros números? Partilháveis, divisíveis, dissolúveis em todas as operações que lhes são propostas. Perdendo, continha a continha, a sua genuinidade. Transformando-se mais neste, menos naquele, quando dividido por um universo infindável de indivíduos numa grande quantidade de situações e denominados de compostos. Compostos de quê? A última vez que tentei ser composto dei com uma conta demasiado complicada, sem resolução… Muita soma, muita multiplicação mmmuitos algarismos…. E eu desejoso por dividir, por me partilhar, mas sempre proibido de o fazer. A dar, a dar, tudo o que dava somava e multiplicava e juntava e somava… para a outra parte! Ou seja, a conta acabava por ser sempre uma subtracção. Dava cada vez mais de mim, ficando eu com cada vez menos de mim, e sem receber nada. Ou pelo menos eu não dei por nada…

Bolas, é difícil encontrar a conta perfeita. Em que um mais um dá dois, ou seja dois algarismos somando dão um só. Os números primos são passíveis de ser somados a outros números. Só não gostam de ser divididos. Quero o egoísmo dos números primos. Matematicamente problemático. Afinal de contas, apesar das contas, está tudo na mesma. Mas gostava de dizer que não me quero dividir, vivendo na esperança de vir a ser composto. Composto por mais alguma coisa. Composto por mais alguém.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

MAS ALGUÉM ESPREITA PARA ESTE SACO???

A última vez que gritei para dentro deste saco ele fazia eco...

Às vezes sinto que não tenho substância, ou que não me materializo. Hoje tive quase a certeza de que não existia. Quase. Estava convencido de que era transparente. Até que o telefone tocou. Não, não tocou. Era o do sítio ao lado. Para falar a verdade o telefone é, na maior parte das vezes, o meu certificado de existência. Quando recebo uma mensagem, sei que existo. De resto, hoje fui invisível. Como tenho sido. Estava transparente até afinal me ter visto e perguntar: "oi tudo bem?"

sábado, 31 de janeiro de 2009

Lc 6.38

"dai, e dar-se-vos-á:
boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão;

porque com a medida com que tiverdes medido
vos medirão também"

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

VACALHONAS

Bem bom UMA DA MANHÃ, EI!
E conversa-se com o Tó no Versus...
E toma-se um copo com o Tó no Versus...

Bem bom DUAS DA MANHÃ, EI!
E toma-se um copo com o Tó no Versus...

Bem bom DUAS E MEIA DA MANHÃ, EI!
E toma-se outro copo com o Tó e conversa-se com o Tó no Versus...

Bem bom TRÊS DA MANHÃ EI!
E apanha-se boleia com Tó para casa...

Bem bom TRÊS E MEIA DA MANHÃ, EI!
E estão vacas na rotunda...
E estão vacas na rotunda...

Bem BOM ei! ToMEi Uns CopOs a Mais E esToU A vEr mAL aS cOiSAS...

beM boM Ei! eI!
lÁ estaVam elas... grandes, gordas, malhadas, mamalhudas.... enormes e a fazer MÚÚúúÚú...

A comer a relvinha numa rotunda em plena Lisboa... Só não eram roxas como a vaca da Milka, o que ajudaria ainda mais ao insólito da situação. Não. Quer dizer, sim, tinha bebido uns copos a mais mas as vacas que vi não foram resultado das bebidas espirituosas que consumi. Estavam lá, aliás, ainda lá estão para quem as quiser ver. Só não sei situar onde porque continuo a ser um estranho em Lisboa (i'm a legal alien in Lisbon...uóuó i'm an Alien, i'm a legal Alien...). Mas é em Lisboa, mesmo em Lisboa. Se não encontrarem esses belos animais, passem pelo Versus e bebam uns copos. De certeza que elas voltam. A fazer MÚMÚ e a comer a relvinha. Na rotunda. NA ROTUNDA!
E viva os Açores.

Gandas Vacas. VACALHONAS É O QUE ELAS SÃO.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"PEÇO À DOR QUE SE HABITUE SE NÃO FOR O CAMINHO CERTO"

sábado, 17 de janeiro de 2009

O QUE É QUE SE PASSA COM A DOÇURA DO MUNDO?

Com a promessa de realização de um sonho e a falência de outro, é assim que fecha a história que nos trouxera o narrador.


Não foi apenas um sonho que foi perdido, foi uma relação.

Afinal, não é a doçura do mundo que vai mal, é a dos sonhos.