domingo, 29 de março de 2009

ACONTECE-ME SEMPRE QUE BEBO LEITE QUENTE.


Acontece-me sempre que bebo leite quente… Estava a ler Na Solidão dos Campos de Algodão. Estava a tentar perceber porque é que solitários, ilícitos e animais se encontram às horas não homologadas da noite. Porque é que é na noite, perto do lusco-fusco, que se permitem existir. A relação das palavras estava a intrigar-me. Estava a ficar desconfortável. Não é ilícito não querermos ser sozinhos, mesmo se nos propomos a ser singulares quando saímos de um ponto em direcção a outro, em linha recta, sem qualquer obstáculo, a seguir directamente. Precisei de parar para pensar. Num dealer e num cliente. Levantei-me e fui à cozinha, aqueci um copo de leite. Eram umas 17h. Sentei-me e continuei a olhar para aquela relação. Estava demasiado cansada para solucionar o que estava a ler. Acontece-me sempre que bebo leite quente. Adormeci. Acontece-me que sempre que bebo leite quente. Adormeço, e inevitavelmente sonho. Sempre que bebo leite aquecido.



Acontece-me sempre que bebo leite quente. Sonho inevitavelmente. Raramente me lembro do que sonhei. Mas este ficou e veio para aqui. O que me acontece. Sempre que bebo leite quente.



Eram 18h39. Quando acordei. Depois do leite aquecido.

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